Litoral Norte Gaúcho
Arroz
Indicação Geográfica: Litoral Norte Gaúcho
Número do Registro: IG200801
Data do Registro: 24/08/2010
Requerente: Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho – APROARROZ
Selo Nacional: Denominação de Origem
Produto: Arroz — a primeira Denominação de Origem do Brasil. Diferencia-se pelo alto rendimento de grãos inteiros, translucidez e vitricidade. Produção alinhada com práticas sustentáveis: licenciamento ambiental, racionalização do uso da água, controle de defensivos, sementes certificadas e rastreabilidade da lavoura ao prato. O arroz é produzido em harmonia com a fauna local — garças, capivatas e outros animais convivem com os arrozais. Sempre teve preços superiores a outras regiões produtoras.
Delimitação geográfica: Península arenosa de ~300 km entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, nos municípios de Balneário Pinhal, Capivari do Sul, Cidreira, Palmares do Sul, Mostardas, São José do Norte, Tavares, Tramandaí e partes de Imbé, Osório, Santo Antônio da Patrulha e Viamão, RS.
História: O arroz foi introduzido no Litoral Norte Gaúcho em 1936 por italianos e em 1937 por alemães e produtores locais. A partir da década de 1970, novas tecnologias aumentaram a produtividade e o arroz passou a ser vendido em todo o Brasil. O complexo ecossistema costeiro — com lagoas, lagunas, dunas, banhados e vegetação de restinga — cria um ambiente que determina o regime de ventos e a estabilidade térmica ideais para a formação do grão.
Contato: APROARROZ | Rua 27 de Abril, 974 – Centro, Palmares do Sul/RS, CEP 95.540-000 | Tel.: +55 (51) 3668-1186 | E-mail: aproarroz@aproarroz.com.br
Piauí
Cajuína
Indicação Geográfica: Piauí
Número do Registro: BR402012000004-7
Data do Registro: 26/08/2014
Requerente: União das Associações e Cooperativas e Produtores de Cajuína do Estado do Piauí – PROCAJUÍNA
Selo Nacional: Indicação de Procedência
Produto: Cajuína — suco puro de caju clarificado, sem adição de açúcares, aditivos e conservantes, acondicionado em garrafas e cozido em banho-maria. Produzida com caju nativo, caju anão CCP076 ou caju misto. Características sensoriais: cor amarela média (pela caramelização natural dos açúcares), líquido brilhante, sabor frutado com acidez e adstringência leve, doçura suave. Deve ser consumida a 7°C–10°C em até um ano após a produção. O setor gera cerca de 37 mil empregos diretos no campo e movimenta quase R$ 70 milhões.
Delimitação geográfica: Todo o estado do Piauí, limitando-se com o Oceano Atlântico, Ceará, Pernambuco, Bahia, Tocantins e Maranhão.
História: Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o cajueiro já estava amplamente disseminado no litoral nordestino. Os índios fermentavam o suco do caju para fazer mocororó e cauim. A cajucultura piauiense era tipicamente extrativista até meados da década de 1960, quando a agroindústria se consolidou. Na década de 2000 veio a profissionalização do processo, com melhoria de qualidade e conquista de novos mercados. O Piauí é o segundo maior produtor de caju do Brasil.
Contato: PROCAJUÍNA | Rua Prof. Odilo Ramos, 1.582, Teresina/PI, CEP 64.056-480 | Tel.: +55 (86) 9 9501-0210 | Site: www.procajuina.simplesite.com | E-mail: procajuina@yahoo.com.br
Região São Bento de Urânia
Inhame
Indicação Geográfica: Região São Bento de Urânia
Número do Registro: BR402014000004-2
Data do Registro: 20/09/2016
Requerente: Associação dos Produtores de Inhame São Bento do Espírito Santo – APISBES
Selo Nacional: Indicação de Procedência
Produto: Inhame, exclusivamente da cultivar São Bento — variedade genuinamente capixaba, registrada no MAPA em 2008 pelo Incaper, com produtividade superior às demais variedades. Alto valor nutritivo e energético, rico em vitaminas e sais minerais. Grânulos pequenos facilitam a digestibilidade. Cerca de 80% da produção do município de Alfredo Chaves provém de São Bento de Urânia — referência nacional como Capital do Inhame.
Delimitação geográfica: Municípios de Alfredo Chaves, Castelo, Domingos Martins, Marechal Floriano, Venda Nova do Imigrante e Vargem Alta, ES. Altitude entre 800 e 1.200 m, clima ameno com temperaturas de 2°C a 30°C e solo arenoso propício ao cultivo.
História: O cultivo de inhame na região iniciou com imigrantes italianos chegados por volta de 1887. Inicialmente nos brejos, o plantio migrou para terrenos secos pela facilidade de plantio e colheita. A região desenvolveu sua própria cultivar — o Inhame São Bento. Desde 2007, é realizada anualmente a Festa do Inhame, que comemora o início da colheita e movimenta a economia local.
Contato: APISBES | Sítio Cantina Italiana Gratieri, S/N, Distrito de Urânia, Alfredo Chaves/ES, CEP 29.240-000 | Tel.: +55 (27) 9 9962-8502 | E-mail: gratieri2012@gmail.com
Sabará
Derivados de Jabuticaba
Indicação Geográfica: Sabará
Número do Registro: BR4020140000093
Data do Registro: 23/09/2014
Requerente: Associação dos Produtores de Derivados de Jabuticaba de Sabará – ASPRODEJAS
Selo Nacional: Indicação de Procedência
Produto: Produtos derivados de jabuticaba: licor, geleia, molho, casca cristalizada e compota. Todos produzidos artesanalmente com receitas tradicionais passadas de geração a geração. O município destaca-se entre os 49 melhores produtores do tipo "Sabará" de jabuticaba. A fruta produz de 200 a 1.000 kg por jabuticabeira ao ano. A sazonalidade da fruta — disponível só na época de chuvas e que apodrece rapidamente — tornou a produção de derivados uma solução inteligente e tradicional.
Delimitação geográfica: Limites político-administrativos do município de Sabará, MG, na Região Metropolitana de BH. Altitude de 723 m e área de 302,173 km². Coordenadas 19°53'11"S e 43°48'24"W.
História: Sabará realiza o Festival de Jabuticaba anualmente há mais de 27 anos consecutivos (entre outubro e dezembro, conforme a safra), onde são comercializados a fruta in natura e os derivados. A produção artesanal é um elemento da manifestação cultural que integra economia, sociedade e gastronomia, evocando o patrimônio cultural do município e atraindo visitantes de todo o Brasil.
Contato: ASPRODEJAS | Rua Abreu Guimarães, 177, Centro, Sabará/MG, CEP 34.505-250 | Tel.: (31) 99195-6410 | E-mail: Asprodejasmg@gmail.com
Capanema
Melado
Indicação Geográfica: Capanema
Número do Registro: BR402015000009-6
Data do Registro: 17/12/2019
Requerente: Associação de Turismo Doce Iguassu
Selo Nacional: Indicação de Procedência
Produto: Melado escorrido e melado batido, ambos derivados da garapa concentrada a 65%–75% de sólidos. O escorrido é viscoso como xarope; o batido é uma pasta clarificada de cor bege, pouco granulada. Produção anual de 400 toneladas. Cerca de 200 empregos diretos gerados em cooperativas e indústrias de médio porte. Sabor e coloração diferenciados pela combinação de temperaturas mais altas, clima mais seco, tipo de solo e forma de produção local.
Delimitação geográfica: Município de Capanema, PR, com área total de 419.403 km², localizado no sudoeste do Paraná, margeado pelo Rio Iguaçu e pelo Parque Nacional do Iguaçu.
História: Conhecida como a "Terra do Melado", Capanema iniciou a produção desse derivado de cana-de-açúcar nos anos 1980 por iniciativa de moradores. Com o tempo, a atividade profissionalizou-se e o sabor único do melado capanema ganhou destaque nacional. Em 1990 foi criada a Feira do Melado, exposição agropecuária e comercial que a cada dois anos movimenta a economia da região.
Contato: Associação de Turismo Doce Iguassu | Av. Ubiratã, S/N, Parque das Exposições, Bairro Santa Cruz, Capanema/PR, CEP 85760-000 | Tel.: +55 (46) 3552-1590 | E-mail: mariela.millioni@gmail.com
Mandirituba
Camomila Desidratada
Indicação Geográfica: Mandirituba
Número do Registro: BR402022000016-2
Data do Registro: 23/01/2024
Requerente: Associação dos Produtores de Camomila de Mandirituba – CAMANDI
Selo Nacional: Indicação de Procedência
Produto: Camomila desidratada (Matricaria recutita L.), erva medicinal da família Asteraceae. Teor de óleo essencial em torno de 0,7% — quase o dobro do mínimo de qualidade (0,4%). Em 2022, Mandirituba era a maior produtora de camomila da América Latina, com mais de 400 toneladas colhidas em 2021 por 40 propriedades. Toda a produção usa mão-de-obra familiar, com processo hoje totalmente mecanizado — da semeadura à secagem.
Delimitação geográfica: Município de Mandirituba, PR.
História: A produção de camomila em Mandirituba já mostrava relevância em 1998, com cerca de 50 produtores tornando o município o maior produtor do país. Ao longo dos anos, houve evolução das técnicas, mas o saber-fazer foi perpetuado pelas novas gerações. O cultivo impulsiona o turismo especialmente entre agosto e setembro, quando os visitantes caminham pelos campos floridos. Em 2022, Mandirituba recebeu o título de Capital Paranaense da Camomila (Lei Estadual 21.126/2022), e uma composição musical com a flor da camomila em seu refrão consagrou a identidade local.
Contato: CAMANDI | Estrada Principal do Chimboveiro, s/n, Mandirituba/PR, CEP 83800-000 | E-mail: joseney2012@hotmail.com
Sapê do Norte
Beiju
Indicação Geográfica: Sapê do Norte
Número do Registro: BR402022000018-9
Data do Registro: 20/08/2024
Requerente: Associação das Produtoras Quilombolas de Beiju do Sapê do Norte – SAPÊ
Selo Nacional: Indicação de Procedência
Produto: Beiju — iguaria quilombola produzida a partir da goma e da massa de mandioca. Todas as etapas são realizadas pelos quilombolas: preparo do terreno, plantio da mandioca (respeitando ciclos lunares e climáticos), colheita após 12 meses, processamento no quitungo (casa de farinha), extração e descanso da goma e polvilho até o preparo final na chapa. Pode ser enriquecido com coco ou amendoim. Comercializado em comércios locais, feiras e encomendas, sendo destaque no Festival do Beiju (realizado anualmente desde 2003).
Delimitação geográfica: Comunidades quilombolas do território de Sapê do Norte, abrangendo os municípios de São Mateus e Conceição da Barra, ES.
História: O beiju do Sapê do Norte é fabricado desde pelo menos o século XIX, ainda no período escravista, quando comunidades quilombolas se estabeleceram na região. É resultado da cultura negra e camponesa dos quilombos capixabas, parte significativa da economia das famílias e símbolo de resistência e reafirmação de identidade. O saber-fazer passa de geração a geração nos núcleos familiares, mantendo a tradição ancestral quilombola.
Contato: SAPÊ | Av. Governador Jones dos Santos Neves, 33, Centro, Conceição da Barra/ES, CEP 29960-000 | Tel.: +55 27 99940-0063 | E-mail: jucealflor@hotmail.com
Maíz Blanco Gigante Cusco
Milho Branco Gigante
Indicação Geográfica: Maíz Blanco Gigante Cusco
Número do Registro: Resolução N° 012981-2005/OSD-INDECOPI
Data do Registro: 26 de setembro de 2005
Requerente: Associação de Produtores de Milho Branco Gigante do Cusco – APROMAIZ
Selo Nacional: Denominação de Origem
Produto: O Maíz Blanco Gigante Cusco é uma variedade amilácea ou suave, proveniente da espécie nativa conhecida como Paraqay sara. Distingue-se pelo seu excepcional tamanho — a espiga pode chegar a 30 cm de comprimento e os grãos a 2 cm de diâmetro —, pela forma arredondada, pela textura marcadamente farinhosa e pelo sabor delicado e agradável ao paladar. É também portador de altíssimo valor nutritivo.
Essas características são resultado de fatores naturais (localização geográfica, condições agroclimáticas e genótipo) e de fatores humanos relacionados ao processo produtivo, com elevado componente manual, uma vez que é cultivado por agricultores de longa tradição e conhecimento ancestral.
Delimitação geográfica: A zona geográfica delimitada para seu cultivo e produção situa-se no departamento de Cusco, abrangendo territórios específicos das províncias de Calca e Urubamba. Na província de Calca, inclui os distritos de San Salvador, Písac, Taray, Coya, Lamay e Calca. Na província de Urubamba, compreende os distritos de Urubamba, Huayllabamba, Ollantaytambo, Yucay e Maras. Essa área de produção estende-se ao longo de ambas as margens do rio Vilcanota, no coração do Vale Sagrado dos Incas.
História: O Maíz Blanco Gigante Cusco tem origem milenar, com evidências pré-incaicas como representações em madeiras entalhadas encontradas em Pachacámac (900 d.C.). Seu maior desenvolvimento ocorreu durante o Império Inca, quando sua produção foi aperfeiçoada por meio de cuidadosa seleção de sementes e avançadas técnicas agrícolas — como terraços (andenes) e sistemas de irrigação — no Vale Sagrado. Tornou-se então um alimento essencial e um produto sagrado, chamado de "Paraqay sara".
Durante o período colonial, seu cultivo continuou nas grandes fazendas que abasteciam cidades e centros mineradores como Potosí e Huancavelica. Embora tecnologias europeias tenham sido incorporadas, muitas práticas andinas de semeadura e colheita manual foram mantidas.
Após um declínio nos primeiros anos republicanos, o Maíz Blanco Gigante Cusco ressurgiu em meados do século XX. A partir da década de 1950, sua qualidade excepcional impulsionou sua entrada nos mercados internacionais, inaugurando uma fase de crescimento voltada à exportação.
Contato: APROMAIZ – Associação de Produtores de Milho Branco Gigante do Cusco
Pallar de Ica
Feijão Pallar
Indicação Geográfica: Pallar de Ica
Número do Registro: Resolução N° 020525-2007/OSD-INDECOPI
Data do Registro: 23 de novembro de 2007
Requerente: Associação de Agricultores de Ica
Selo Nacional: Denominação de Origem
Produto: O Pallar de Ica é uma leguminosa de grão grande, branco e liso, que se distingue pela forma arredondada ou levemente achatada. Cada semente pesa entre 1,2 g e 2,8 g e mede de 1,7 a 3,0 cm. Sua casca fina permite cozimento rápido e uniforme, resultando em textura cremosa, suave e sabor adocicado — características que o diferenciam de outros pallares do país. Essas qualidades decorrem do baixo teor de ácido cianídrico e da composição particular de seus amidos e açúcares.
É um produto nutritivo, com elevados níveis de proteínas e carboidratos, além de boa proporção de fibras e outros componentes que contribuem para seu valor alimentício e sua textura final. Destaca-se também pela grande homogeneidade de tamanho e cor.
Sua produção mantém práticas tradicionais transmitidas por gerações, como a preparação cuidadosa do terreno, o manejo da semeadura e da colheita e a seleção manual dos grãos maiores, mais claros e de melhor sabor.
Delimitação geográfica: A zona geográfica delimitada para o cultivo e a produção do Pallar de Ica situa-se na região de Ica, abrangendo um total de 24 vales distribuídos em suas cinco províncias. Em Chincha, a denominação compreende os vales de Topará e Alto Larán. Em Pisco, os vales de Huancano, Humay e Independencia. Na província de Ica, os vales de Huamaní, Los Molinos, Salas Guadalupe, San Juan Bautista, Los Aquijes, Santiago, Ocucaje e Callango. A zona estende-se ainda à província de Palpa, com os vales de Santa Cruz, Sacramento, Río Grande, Llipata, Palpa e Piedras Gordas, e à província de Nazca, incluindo os vales de Ingenio, San Javier, San Juan de Changuillo, Vista Alegre e Conguyo. Todo esse território situa-se em uma faixa altitudinal que vai de 108 a 1.020 metros acima do nível do mar.
As qualidades únicas do Pallar de Ica estão estreitamente ligadas às condições agroclimáticas do deserto iqueño. A região apresenta temperaturas médias de 24°C a 27°C, alta luminosidade pela escassa nebulosidade e pouquíssimas chuvas, compensadas por umidade ambiental elevada. Os solos variam de franco-arenosos a franco-argilosos, são moderadamente profundos, levemente alcalinos e com baixo teor de matéria orgânica. Essa combinação de clima, solo e disponibilidade de água — somada a fatores como os ventos de agosto que facilitam a colheita tradicional — permite que o Pallar de Ica desenvolva as características que o distinguem dos demais pallares do país.
História: A história do Pallar de Ica remonta a milhares de anos e está ligada a diversas culturas pré-hispânicas. Considerada uma das leguminosas mais antigas domesticadas no Peru, foram encontradas evidências arqueológicas com até 10.000 anos. Nazca, Paracas e especialmente os Moche o valorizavam tanto na alimentação quanto na vida ritual, representando-o em cerâmicas naturalistas e antropomorfas e até associando-o a práticas cerimoniais.
Quando os espanhóis chegaram, o pallar já era amplamente cultivado nos vales costeiros e foi integrado à dieta colonial. Com o tempo, os agricultores de Ica aperfeiçoaram suas técnicas de cultivo e seleção, adaptando-as às condições do deserto. Graças a esse conhecimento herdado, o Pallar de Ica conservou e reforçou as qualidades que hoje o distinguem.
Contato: Associação de Agricultores de Ica
Loche de Lambayeque
Abóbora Loche
Indicação Geográfica: Loche de Lambayeque
Número do Registro: Resolução N° 018799-2010/DSD-INDECOPI
Data do Registro: 03 de dezembro de 2010
Requerente: Associação Regional de Produtores de Loche de Lambayeque (ARPROLOL)
Selo Nacional: Denominação de Origem
Produto: O Loche de Lambayeque é uma variedade nativa de abóbora (Cucurbita moschata Duchesne) tradicionalmente cultivada na região norte do Peru. Distingue-se pela forma alongada ou "cinturada", pela casca fina de cor verde-escuro com veios claros e pela polpa amarelo-alaranjada de textura compacta e fina. Seu aroma adocicado e levemente apimentado e seu sabor suavemente doce o diferenciam de outras abóboras, tornando-o um ingrediente de destaque na cozinha tradicional do norte peruano.
O loche é cultivado por meio de práticas agrícolas tradicionais, com seleção manual de sementes e manejo cuidadoso do terreno, preservando sua qualidade e sabor característicos. Cada fruto é obtido por um processo artesanal que garante a conservação de sua textura rugosa e de seu intenso aroma.
Delimitação geográfica: A zona geográfica delimitada situa-se integralmente na região de Lambayeque, abrangendo áreas de produção em suas três províncias: os distritos de Ciudad Etén, Monsefú e Lagunas, em Chiclayo; o distrito de Íllimo, em Lambayeque; e o setor Pómac III, em Ferreñafe. Todo esse território caracteriza-se por um relevo quase plano, com altitude muito próxima ao nível do mar, geralmente abaixo dos 100 metros.
História: O Loche de Lambayeque tem presença ininterrupta na história, que remonta às civilizações pré-hispânicas do norte do Peru. Representações de abóboras com forma semelhante ao loche foram encontradas em cerâmicas das culturas Mochica, Lambayeque e Sicán, evidenciando o valor alimentício e simbólico que esse fruto teve desde os tempos antigos. Esses povos não apenas o cultivavam, mas também o incorporavam em rituais agrícolas e o representavam como símbolo de fertilidade e abundância. Sua domesticação foi resultado de uma longa seleção de sementes adaptadas ao clima árido costeiro.
Com a chegada do período colonial e, posteriormente, a consolidação da gastronomia crioula, o loche manteve seu protagonismo na mesa do norte peruano. Seu uso transcendeu o âmbito doméstico para tornar-se um elemento fundamental nas receitas tradicionais de Lambayeque, transmitidas de geração em geração.
Contato: ARPROLOL – Associação Regional de Produtores de Loche de Lambayeque | Distrito de Pitipo, Província de Ferreñafe, Lambayeque, Peru
Maca Junín-Pasco
Maca
Indicação Geográfica: Maca Junín-Pasco
Número do Registro: Resolução N° 006065-2011/DSD-INDECOPI
Data do Registro: 12 de abril de 2011
Requerente: Associação de Produtores e Transformadores de Maca da Região Junín – Nação Pumpush
Selo Nacional: Denominação de Origem
Produto: A Maca Junín-Pasco é um tubérculo pequeno e achatado que se apresenta em diferentes tonalidades de cor. Suas propriedades são resultado de um processo produtivo conduzido pelos agricultores da Meseta del Bombón, que preservaram um conhecimento ancestral sobre seu cultivo e manejo pós-colheita.
A produção segue um saber tradicional transmitido por gerações. Tudo começa com a seleção dos melhores hipocótilos da colheita anterior, que garantem a qualidade da nova safra. A semeadura é feita à mão, espalhando as sementes sobre o terreno preparado. A colheita também é manual: os agricultores utilizam ferramentas tradicionais como o cashu para extrair cada hipocótilo sem danificá-lo, demonstrando a especialização que esse trabalho exige.
Em seguida, os hipocótilos são secos ao sol por vários dias — método ancestral que potencializa seus nutrientes e seu sabor adocicado. Por fim, realiza-se uma seleção manual por cor e qualidade, definindo qual parte da produção se destina ao consumo, à venda ou à semente para o ciclo seguinte.
Delimitação geográfica: A zona geográfica delimitada situa-se no ecossistema de puna da Meseta del Bombón, abrangendo áreas específicas dos departamentos de Junín e Pasco. Compreende localidades do noroeste de Junín, como Junín e Carhuamayo, e do sudoeste de Pasco, incluindo distritos como Ninacaca e Huayllay. O cultivo desenvolve-se exclusivamente em uma faixa altitudinal extrema, entre 3.950 e 4.450 metros acima do nível do mar, sobre um relevo que varia de ondulado a muito acidentado, com solos moderadamente profundos e pedregosos.
O caráter único desta maca provém de seu microclima úmido-frígido, distinto do de outras zonas andinas. O Lago Junín contribui com uma umidade relativa superior a 80%, criando condições especiais para seu desenvolvimento. A planta resiste a temperaturas entre 12°C e -10°C, alta radiação solar e baixa pressão atmosférica, além de crescer em solos franco-arenosos e muito ácidos. Essa combinação de altitude extrema, alta umidade e solos ácidos é o que define as propriedades da Maca Junín-Pasco.
História: A história da Maca Junín-Pasco remonta a mais de 2.000 anos nos Andes centrais, onde as culturas pré-incaicas a domesticaram na Meseta del Bombón, a mais de 4.000 metros acima do nível do mar. Nesse ambiente extremo, a maca tornou-se essencial pela sua resistência e pelo seu elevado valor nutritivo.
Durante o Império Inca, foi considerada um alimento sagrado e estratégico, valorizado por aumentar a força e a resistência, consumido pelos exércitos e oferecido aos deuses. Cronistas espanhóis registraram sua importância, destacando seu uso para melhorar a fertilidade em pessoas e animais.
Após a conquista, seu cultivo permaneceu nas mãos das comunidades andinas, que mantiveram viva a tradição. Somente ao final do século XX a ciência começou a redescobrir e confirmar as propriedades que a sabedoria andina havia reconhecido por séculos.
Contato: Associação de Produtores e Transformadores de Maca da Região Junín – Nação Pumpush